05 maio 2004

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“Falar sobre as questões inerentes à arquitectura, numa série de crónicas”
Eis o fascinante, mas volumoso desafio que me foi lançado.
Porquê falar sobre arquitectura?
Porque tudo o que comporta a compreensão racional, sensorial e sensitiva do que nos rodeia transporta o homem para um plano bem mais digno da utilização do H maiúsculo, que ousámos atribuir, exclusivamente, à nossa espécie.
Porque cada um que me lê busca o contexto mais indicado para o fazer: recosta-se, da melhor forma que encontra, na cadeira; inclina ligeiramente esta página, para que a luz lhe seja favorável; escolhe o canto da sala onde se poderá concentrar melhor na leitura, ou, então, o local exacto para poder partilhar as suas considerações com os que o rodeiam.
Porque todas estas manobras não passam de discretos e inconscientes processos de organização e optimização do contexto social em que gravitamos - através da invenção, manipulação, ou apropriação do espaço e do design.
Porque a arquitectura, entendida como uma realidade técnica e especializada, mas também filosófica, artística e experimental, atingindo (consequentemente) a esfera do conceptual, está presente na esmagadora maioria do espaço humanizado deste planeta, com profundas influências na sociedade e na sua harmonia.
Porque a arquitectura, em toda a sua dimensão, lida com factores tão diversos e abrangentes como a arte, a sociologia, a política, a psicologia, o ambiente, a tecnologia, a economia, a saúde, etc, etc.
Porque os arquitectos, essas personagens alvo de amor e ódio, são os fazedores de cenários de vida.
Porque (citando as muito batidas palavras de Winston Churchill) “somos nós que fazemos as nossas casas, mas, depois, são elas que nos fazem a nós”.
Porque a arquitectura inspira-se em tudo o que nos rodeia.
Porque a arquitectura inspira tudo o que nos rodeia.
Porque a arquitectura tem de deixar de ser encarada como a inevitável concepção de edifícios e passar a ser entendida como uma desejável proposta de definição de espaços, em tudo o que este termo pode abranger.
Porque, afinal, de entre aqueles que se interessam suficientemente por um assunto tão presente nas nossa vidas, para me terem lido até aqui, quantos haverá que sabem, realmente, para que serve um arquitecto?
Foi Abril - mês de liberdade.
É Maio - mês de luta
D. Quixote - nome de sonhador.
Porquê falar de arquitectura?!